Protesto racista contra artista branca na Bienal de NY

Protesto racista contra artista branca na Bienal de NY

 

Eu até hoje não conheço a nova sede do Whitney Museum (Whitney Museum of American Art) em Nova York, que foi foi inaugurada em 2015. Mas agora me deu vontade de ir ver. Muito por causa da sua Bienal 2017, aberta no último dia 17, que é a exposição de maior peso político/social das últimas décadas. Mas também por causa de uma controvérsia esquisita que começou a ganhar destaque na mídia européia e norte-americana desde a sua abertura. A polêmica é causada por uma obra abstrata, chamada Open Casket (Caixão Aberto), que retrata o corpo do adolescente americano negro Emmet Till, morto em 1955 no Mississippi. O sequestro e linchamento de Till, de 14 anos, catalisou o movimento dos direitos civis nos Estados Unidos.

Nada errado com o quadro, obra da americana Dana Schutz, uma artista plástica de apenas 20 anos. Dana inspirou-se na emblemática foto do velório de Till. A mãe do rapaz insistiu em um caixão aberto dizendo: “Que as pessoas vejam o que eu vi”.

A artista pintou a obra no ano passado, quando os Estados Unidos quase entraram em estado de emergência quando confrontos mortais entre a polícia e jovens negros gerou uma onda popular de manifestações e violência. A peça é uma catarse e uma homenagem.

A artista Dana Schutz

A questão é que ela é branca. E, aparentemente, isso é um problema. Pelo menos para Hannah Black (que é negra até no nome), outra artista plástica, esta britânica e muito engajada.

 

A artista plástica britânica, radicada em Berlim, que deu início à campanha contra a obra

Black, que vive em Berlim, acha uma injustiça social que artistas brancos usem “a dor dos negros como matéria prima”. Na semana passada ela postou uma carta aberta na rede social Tumblr exigindo que a curadoria do Whitney excluísse a obra da mostra.

Não só isso: Black acredita que a morte de um negro não pode ser explorada para entretenimento ou lucro, e incita o museu a destruir a obra de Schutz. A carta foi co-assinada por outros 25 representantes negros da comunidade das artes visuais.

Ninguém ainda tentou destruir a obra, mas a carta inspirou gente como Parker Bright – aquele da foto acima – que durante vários dias protestou postando-se  em frente ao quadro para bloquear a visão do público.

Mia Locks e Christopher Y. Lew, curadores da exposição

A resposta do museu foi política: em uma entrevista coletiva, os dois curadores da exposição – Mia Locks e Christopher Y. Lew, ambos de origem asiática – defenderam a inclusão da pintura, que qualificaram como “uma imagem perturbadora mas extremamente solene e pertinente”.

“Ao expor essa obra nós reconhecemos a importância desse momento dramático não só da história da comunidade negra, mas de todos os Estados Unidos”, disse Locks. E completou: “Qualquer tentativa de restringir a expressão artística é um perigo e uma afronta exatamente àquilo que a arte representa”.

Ala da Bienal, na nova sede do Whitney Museum

A essência mesmo da arte é que ela transcende qualquer fronteira. Mas o maior absurdo dessa história é que os protestos não são provocados pelos fatos que inspiraram a obra, mas pela raça da autora. Manifestantes racistas contra o racismo? Pensa num paradoxo.

Agora, com tudo esse debate, quem sai ganhando mesmo é a jovem artista, Dona Schutz… Pensa numa publicidade!

Para saber mais sobre a as obras da Bienal 2017 do Whitney Museum, por favor clique aqui

Related posts

One thought on “Protesto racista contra artista branca na Bienal de NY

  1. Lisa

    Nossa Chris, que quebra-quebra com essa história da obra.
    Acho que é pelo fato de estar num país racista, infelizmente.
    Como bem você mencionou, a artista D.Shultz sai ganhando, propaganda gratuita a seu favor.
    The Whitney Museum is a must to be visited.

Leave a Comment