Governo canadense propõe a legalização da maconha recreativa

Governo canadense propõe a legalização da maconha recreativa

Pronto! O governo canadense cumpriu a promessa e acabou de apresentar ao parlamento sua proposta para legalizar a maconha recreativa até a metade de 2018. Não quer dizer que de um dia para o outro todo mundo vai poder andar chapado por aí. A proposta do governo vem amarrada em mais de 80 recomendações e advertências, que recheiam uma bíblia de 106 páginas. Pra garantir que tudo seja feito com muito critério e cuidado, e que o Canadá não vire a capital universal dos maconheiros unidos. E principalmente, que esse lucrativo mercado recheie os cofres públicos…

O documento foi produzido pela força-tarefa criada pelo primeiro-ministro Justin Trudeau em 2015 para discutir e propor o processo mais adequado para legalizar a cannabis, uma das promessas da sua campanha eleitoral.

O conteúdo desse calhamaço foi elaborado pra não deixar nenhum aspecto nebuloso, e considera desde as penalidades para a produção e comercialização ilícitas até o tipo de embalagem e publicidade que serão permitidas.

Claro que não é fácil deliberar sobre uma mudança legal que tem implicações tão profundas numa sociedade, incluindo a cultura, a saúde, a segurança, a economia e até as relações internacionais. Tanto que, até hoje o Uruguai o único país no mundo que legalizou a produção, a distribuição e venda de maconha sob controle do Estado. Nos Estados Unidos, onde a população de consumidores de maconha recreativa é estimada em 70 milhões de usuários, ela só legal em oito dos seus 50 estados.

Mas ninguém duvida que a maconha será legalizada aqui, e logo. Os prós superam os contras, mesmo porque todo mundo sabe que legalizada ou não a maconha já é facilmente adquirida e está ao alcance de qualquer pessoa, inclusive dos adolescentes. Uma pesquisa recente conduzida pela Organização Mundial de Saúde em 29 países desenvolvidos revelou que os jovens do Canadá são os que mais consomem cannabis. Pelas estatísticas do governo canadense de 2016, 21% dos jovens entre 15 e 19 anos e 30% da faixa entre 20 e 24 anos fumam maconha – ou pelo menos já fumaram mais de “algumas” vezes.

Trudeau não se cansa de repetir que o objetivo da legalização é restringir o acesso da maconha aos menores de idade e coibir as atividades do crime organizado. Os mais cínicos apostam mais é na capitalização dos lucros gerados por esse mercado.

A venda ilícita na América do Norte no ano passado gerou 46 bilhões de dólares em lucros. Com a venda legalizada, só em 2018 os governos federal e provinciais do Canadá já vão poder embolsar de 675 milhões de dólares em impostos e taxas. Agora o negócio é não impor taxas muito altas, porque senão as pessoas vão continuar a comprar no mercado negro, mas isso o governo já entendeu.

Tá, mas e os jovens?? A tal força-tarefa dedicou muita reflexão a esse aspecto, porque afinal nenhum governo quer encorajar maus hábitos e fomentar o vício na promissora juventude do país. Mas no final, a questão vai ser tratada do mesmo jeito que se lida com a venda de bebidas alcoólicas. Menores de idade não podem comprar o produto, nem consumi-lo em público, e as penas para que viola lei são severas.

Fora isso, a legalização da maconha recreativa não vai mudar dramaticamente a maneira como os jovens vão encarar e conviver com ela, porque o impacto e as possíveis consequências desse uso permanecem os mesmos. Ou seja, cabe aos pais, às escolas e à sociedade em geral preparar as crianças desde cedo para entender o que faz bem e o que faz mal e por que, e orientá-los no melhor sentido. Como com tudo na vida…

 

 

 

 

 

 

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